Novo método de calagem aumenta a produtividade e amplia a eficiência no uso do calcário

Última atualização: 31/03/2026

O novo método de calagem desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal de Lavras (UFLA) propõe um cálculo mais preciso da necessidade de aplicação de calcário, com base nos atributos químicos do solo e na composição do corretivo. O estudo foi publicado na revista científica Soil & Tillage Research, referência internacional em ciência do solo, e responde a um dos maiores desafios da agricultura tropical: a alta acidez e a baixa fertilidade natural dos solos.

Ao longo de dez anos de pesquisas, somados a quase três décadas de experiência do professor Silvino Guimarães Moreira, da Escola de Ciências Agrárias de Lavras (Esal/UFLA), foi consolidada uma metodologia que considera a relação entre cálcio, magnésio e pH do solo. Dessa forma, tornou-se possível estimar doses específicas para duas profundidades: de 0 a 20 cm e de 0 a 40 cm, sendo esta última o principal foco da proposta.

Como resultado, a correção em camadas mais profundas favorece a fertilidade do subsolo e amplia o volume explorado pelas raízes, o que impacta diretamente a produtividade das culturas.

A Calcário Solo Fértil tem, ao longo dos últimos anos, apoiado esses estudos. Que mostraram resultados impressionantes: até 50% a mais de produtividade no milho e 30% a mais na soja, além de maior aproveitamento de água e nutrientes.

Por que o novo método de calagem é necessário?

Atualmente, muitos métodos tradicionais de recomendação de calcário tendem a subestimar as doses necessárias quando o objetivo é corrigir o pH do subsolo, especialmente em áreas agrícolas recém-abertas. Consequentemente, reaplicações tornam-se frequentes e a correção da acidez é retardada, o que gera impactos econômicos relevantes.

Além disso, em áreas arrendadas, o retorno do investimento precisa acompanhar o ciclo produtivo. Portanto, uma recomendação mais precisa reduz desperdícios, evita retrabalho e aumenta a eficiência no uso do calcário agrícola.

Resultados de campo comprovam ganhos expressivos

Para validar o novo método de calagem, foram conduzidos sete experimentos de campo ao longo de quatro anos (14 safras), em diferentes municípios de Minas Gerais: Ijaci, Nazareno, Ingaí, Uberlândia, Araguari, São João del Rei e Formiga. As áreas apresentaram distintas condições edafoclimáticas, o que conferiu robustez técnica aos resultados.

Durante os experimentos, diferentes doses de calcário foram incorporadas até 0,40 metros de profundidade. Assim, foi possível observar aumento significativo na produtividade de culturas anuais e maior resiliência aos déficits hídricos, especialmente em sistemas de sequeiro sob Cerrado.

Em lavouras de milho de segunda safra submetidas a veranicos severos, os ganhos de produtividade superaram 50%. Já na soja, os incrementos chegaram a 30%. Esse desempenho foi atribuído ao maior desenvolvimento radicular em profundidade, permitindo que as plantas acessassem água e nutrientes mesmo em períodos críticos.

Adicionalmente, o estudo estabeleceu novos níveis críticos para cálcio e magnésio nas camadas de 0 a 20 cm e de 20 a 40 cm, superiores aos tradicionalmente recomendados. Para alcançar 95% do potencial produtivo das lavouras anuais, recomenda-se garantir 60% de cálcio na camada superficial e 39% na camada mais profunda.

A partir desses resultados, foi criada uma fórmula prática que possibilita ao produtor calcular a necessidade de calagem de forma mais assertiva, considerando também o teor de magnésio do corretivo.

Aplicação prática no sistema de plantio direto

A proposta foi especialmente desenvolvida para a implantação de culturas anuais em sistema de plantio direto (SPD) ou para a reabertura de áreas que não receberam correção adequada no passado. Além disso, o método já começa a ser testado em lavouras de café, ampliando seu potencial de aplicação.

Impactos para o Cerrado e para a agricultura brasileira

O novo método de calagem pode gerar impacto direto na agricultura brasileira, sobretudo em regiões como o Cerrado, onde a produção de grãos depende fortemente da correção da acidez do solo.

Com recomendações mais precisas, os produtores tendem a alcançar maior eficiência no uso de insumos, reduzir custos no longo prazo e aumentar a resiliência das lavouras frente às variações climáticas. Dessa maneira, a tecnologia contribui para a sustentabilidade do sistema produtivo e para a segurança alimentar.

“Trata-se de uma contribuição relevante não apenas para a agricultura mineira, mas também para outras regiões tropicais, onde solos ácidos e altamente intemperizados impõem sérias limitações à produção agrícola”, destacou o professor Silvino.

Tradição da UFLA em ciência do solo

O estudo reforça a tradição da UFLA como referência nacional e internacional em fertilidade e manejo de solos tropicais. Além do professor Silvino Guimarães Moreira, participaram da pesquisa Josias Reis Flausino Gaudencio, Flávio Araújo de Moraes, Everton Geraldo de Morais, Devison Souza Peixoto, Hugo Carneiro de Resende, Júnior Cézar Resende Silva e Otávio Lopes Vieira Campos, integrantes do Grupo de Pesquisa em Sistemas de Produção (GMAP).

A pesquisa teve início com a tese de doutorado de Flávio Moraes, em 2017, e foi ampliada nos anos seguintes com experimentos conduzidos no Sul de Minas e no Triângulo Mineiro. Assim, consolidou-se uma base científica sólida para aprimorar o manejo da calagem em solos tropicais.

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